sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

As descobertas em mim...

Hoje posso dizer que me sinto mais próxima da cura do que nunca me senti, principalmente pelo fato de acreditar mais em mim também, por me sentir melhor comigo mesma, para tentar mais, me arriscar mais errar e acertar mais.
Estou aprendendo a perder o medo que tinha de mim mesma. Mesmo depois de todos os exercícios, apenas quando comecei a me aventurar com os dilatadores da forma certa, percebi que tinha medo de me tocar, de me conhecer.
Quando falo de usar os dilatadores da forma certa, estou literalmente falando de masturbação, de aproveitar um tempo comigo mesma, com todo o carinho, desejo e cuidado que eu mereço. Não é que eu não receba tudo isso do meu marido, a questão não é essa, percebo apenas que aquele velho clichê sobre se amar antes de amar o outro, se aplica ao sexo também. Minha mente está em um relacionamento sério com o meu corpo há 25 anos, mas tem privado ele do prazer sexual, do auto conhecimento da minha própria sexualidade e isso não é certo. Hoje sinto como se me devesse os muitos anos de prazer e auto conhecimento dos e por isso tenho aproveitado o tempo comigo mesma, me conhecendo e perdendo o medo de mim.
O mais estranho é perceber que tinha medo de mim mesma, do corpo que me pertence desde o início dessa minha estranha existência. E por mais incrível que possa parecer, não é nada fácil perder o medo de si próprio. Se olhar com os olhos de dentro e descobrir o corpo que lhe pertence é desafiador.
Tenho feito sempre que possível os exercícios com os dilatadores, mas privilegiando o meu prazer, o meu tempo, as minhas vontades. Finalmente consegui introduzir os pesos para a prática do pompoarismo que havia comprado há tanto tempo e nunca tinha conseguido usar e tenho praticado com o objetivo de me conhecer, de conhecer os meus limites, de conhecer as reações do meu corpo a estímulos diferentes e tem sido cada vez mais produtivo.
Uma coisa que pensei que nunca seria capaz de fazer era utilizar os absorventes internos para a sua função prática, e esse mês finalmente fui capaz de fazê-lo, e me fez tão bem! Percebi ao colocá-los que agora conheço mais a minha anatomia, sei o que fazer para não me machucar e consigo controlar melhor a minha musculatura pélvica e tudo isso consegui apenas permitindo ampliar a minha própria visão sobre mim. Sobre o eu escondido e trancafiado dentro da minha própria vagina.
E tudo isso só me trouxe felicidade e bem estar. Então por que me escondo de mim? Por que me evitei por tanto tempo? Talvez a essa altura a resposta nem importe tanto, provavelmente a parte mais importante foi perceber que eu fazia tudo isso e tentar mudar as minhas atitudes. De qualquer forma esse é apenas um momento de felicidade e auto aprendizado, espero que muitos outros aconteçam e que eu tenha força para
continuar sempre buscando o auto conhecimento!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Dilatadores vaginais, um passo de cada vez!

Bom, todas as mulheres que conhecem o vaginismo há algum tempo, já ouviram falar dos famosos e difíceis de encontrar dilatadores vaginais.
Pois é, eu finalmente consegui adquirir o meu kit de dilatadores, que agora fazem companhia ao vibrador que eu já tinha há um tempo, mas que me intimidava pelo tamanho (não comprei um vibrador muito grande, mas mesmo assim é um desafio, uma vez que deveria (nos meus planos) ser a maior coisa que já consegui introduzir na vagina sem desconforto), enfim.
Na semana passada encontrei o site de um sex shop que vende esses queridos pela internet, mas já tendo passado pela experiência de tentar adquiri-los em sites do exterior e não receber fiquei um pouco desconfiada, até que achei um anuncio do produto no mercado livre, e como já conheço a dinâmica do site resolvi tentar. Com preço sensato e entrega rápida não tenho o que reclamar da compra. (no fim do post disponibilizo o link para vocês)
Um dia depois resolvi usá-los. Bem é um kit com 6 dilatadores, a minha meta era no mínimo chegar a metade do caminho. Mas já aprendi duas lições: 1 não adianta tentar sem querer sentir prazer com a tentativa, tudo tem que ser descontraído e sem cobranças (apesar da minha meta...), se não for agradável e você não consegui relaxar o resto do corpo, como vai relaxar apenas a musculatura vaginal? 2 não da pra ficar muito decepcionada toda vez que se estabelece uma meta em relação a isso e não a alcança, pelo simples fato de que você vai passar mais tempo e gastar mais energia ficando chateada por não ter conseguido do que tentando, e tudo isso nos atrasa em relação ao processo de cura.
Deitei, relaxei e tentei me dar prazer. Teria sido muito mais fácil com o meu marido, mas eu estava muito ansiosa para descobrir o que conseguiria fazer com os dilatadores para esperá-lo.
O primeiro(verde) foi tão fácil que eu quase não o senti, fiquei super feliz pelo simples pensamento de já ter superado aquela fase!
O segundo (rosa) foi extremamente confortável e prazeroso, tanto que acho que passei tempo de mais com ele, sendo que podia ter tentado o outro.
O terceiro (bege-amarelo) foi mais difícil, talvez por que eu já não estivesse mais tão excitada, talvez por que eu soubesse que ele é que seria o meu desafio, não sei. Entrou inteiro com muita facilidade, mas incomodou um pouco, depois que já estava lá dentro. Enfim, o meu método foi tentar relaxar e deixar ele lá por um tempo, senti-lo e esquecer a dor. Não foi tão ruim, mas ainda vou precisar de um pouco de treino, como precisei de treino para perder o medo do absorvente interno.
Não fiquei decepcionada de parar alí, muito pelo contrário, consegui perceber todo o caminho que já percorri para chegar aqui e ter a certeza de que muito ainda precisa ser feito.
Uma das vantagens que percebi ao usar os dilatadores foi realmente essa, ter parâmetros. Poder ver de fato o que você já fez e onde precisa chegar.
É preciso que fique claro que a cura do vaginismo não se trata apenas de se acostumar com a penetração em si. O vaginismo é um distúrbio muito mais complexo e não envolve apenas os empecilhos físicos, é preciso lidar com muitos fantasmas do passado e desconstruir muitos conceitos que passamos nossas vidas inteiras construindo e fortificando.
Então apenas comprar dilatadores, vibradores etc etc etc, não resolve o problema, existe muito a ser feito na mente antes que o corpo posso refletir essas transformações.
Ah, o link do mercado livre para a compra dos dilatadores é esse aqui embaixo:
http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-530146378-dilatadores-e-penetradores-vaginais-absoloo-sexshop-5176-_JM
Continuamos na luta em busca da cura e do auto conhecimento.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Desconstrução...

Tinha muito em mente no final de 2013, achava que me livraria do vaginismo num piscar de olhos apenas com a minha força de vontade. Vocês não imaginam a minha decepção ao tentar mais de uma vez introduzir o bendito vibrador e não conseguir, ao sentir de novo todo o meu corpo se enrijecer, e ser tomado pela dor e a queimação já tão conhecida.
Como me senti mal nesses momentos, como quis esquecer tudo pelo que lutei até agora e sumir, mesmo sabendo que antes de mais nada, luto por mim mesma. Não posso negar que por mais de uma vez a minha vontade foi de simplesmente assumir a derrota e desistir. Mas no fim das contas, desistir não faz parte da minha personalidade, simplesmente não é o tipo de coisa que eu faria.
Enfim, decidi que era hora de relaxar e aproveitar as minhas férias sem me preocupar tanto com isso, afinal se o empenho extremo não estava me levando a lugar nenhum, talvez a tranquilidade me levasse.
Relaxei, aproveitei as minhas férias (que foram férias da terapia também) com o meu marido.
Em um dado momento de intimidade e empolgação, pedi para que ele devagar e com cuidado tentasse introduzir o dedo dele (muito maior do que o meu, e maior do que qualquer coisa que eu já tinha introduzido na minha vagina sem dor) em mim, mas tive o cuidado de tentar não me concentrar na sensação do dedo em si, mas sim nas outras coisas que estavam acontecendo naquele momento e que me davam prazer, (afinal, o objetivo era apenas diversão, se ele não conseguisse introduzir, estaríamos bem e continuaríamos nos divertindo como se nada tivesse acontecido) me perdi em meio as boas coisas daquele momento.
Muito tempo depois, me dei conta do tal dedo dentro de mim, e para a minha maior surpresa, percebi não pela dor, mas sim pelo prazer. E não pude deixar de ficar feliz naquele momento, pelo simples fato de descobrir que sou capaz de sentir prazer dessa forma. E no momento seguinte, o movimento ficou diferente, eu me desconcentrei e comecei a sentir a velha dor de sempre. Não fiquei triste, ainda me orgulho de ter me sentido bem naquele momento. Mas entendi um pouco mais de mim, e aprendi mais sobre todo esse processo.
No retorno a terapia, meu marido foi o primeiro a contar, orgulhoso o ocorrido a nossa médica, e tivemos uma sessão completamente voltada para o relaxamento depois de dizer tudo o que nos aconteceu nesse quase um mês em que não fomos a terapeuta.
Aos poucos, um passo de cada vez, começo a perceber que tudo o que acontece comigo na verdade tem a ver com os meus métodos de auto defesa, a cada exercício de relaxamento a minha vontade de sair correndo dali aumentava, até que a minha terapeuta conversou comigo com muita calma e carinho e me ajudou, pelo menos naquele momento a entender que muitas vezes eu não tenho do que me defender, então não preciso estar alerta e na defensiva o tempo inteiro, mesmo que muitas vezes eu nem perceba que essa é a minha postura.
Sei que de alguma forma no meu subconsciente somo isso ao fato de que, em muitos momentos importantes da minha vida negligenciei meu corpo e tudo o que poderia ser feito com ele, como se apenas o intelecto me bastasse, e nesse momento simplesmente não sei lidar com o corpo que sempre foi meu. Um dia me envergonhei do que estava me tornando fisicamente e hoje me envergonho do que não aprendi por essa atitude. Mas estou começando a entender que nenhuma dessa vergonhas vai me ajudar a superar os meus problemas atuais e que na verdade já passou da hora de me livrar delas, pois apenas tornam as minhas barreiras mais fortes.
Queria de fato que houvesse um botão na minha cabeça que fizesse a minha mente parar de funcionar nos momentos certos, mas passei alguns bons anos cultivando essa defesa, me livrar dela numa forma tão simples apenas não vai funcionar. A partir de agora a luta é contra o excesso de racionalidade e na verdade, acho que sempre foi. Somam-se as causas e quem sabe quando eu puder dar conta das mesmas, não consiga finalmente os diferentes efeitos que tanto anseio.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Medo!


Estou há um bom tempo sem postar por aqui, pelo simples fato de que as vezes prefiro me afastar um pouco do assunto, viver a minha vida como se o vaginismo não existe de vez em quando me faz bem. Então me afastei durante as festas de fim de ano prezando apenas a minha paz de espírito.
Mas agora as festas acabaram e o ano começou mais uma vez, sei que nesse momento estou mais perto da cura do vaginismo do que já estive desde que iniciei a minha vida sexual, mas isso ainda não significa que cheguei a tão sonhada cura, nem sei ao certo quanto tempo ainda terei que trabalhar em mim e por mim para que a conquiste.
Comprei como tinha dito no post anterior o vibrador, cheguei em casa toda empolgada no mesmo dia e fui tentar introduzi-lo, cheguei mais uma vez na metade do caminho, não consegui colocá-lo até o final. Tinha comprado também os pesinhos para praticar o pompoarismo, mas também não consegui colocá-los até o final. Na verdade acho que me senti meio intimidada por todos esses novos objetos desafiadores no meu caminho. De início chorei, me senti mal, senti dor, parecia que todo o esforço que tinha feito até ali tinha sido completamente em vão.
Depois conversei com a minha médica que me esclareceu meia dúzia de fatos sobre a relação da adrenalina que eu libero no me corpo nesse tipo de momento em que fico tão ansiosa, e o que isso tem a ver com a contração muscular que me impediu de introduzir os dois objetos até o fim.
Ganhei alguns exercícios de relaxamento para fazer em casa, antes de tentar mais uma vez introduzir os pesos do pompoarismo ou o próprio vibrador, exercícios para fazer se conseguisse introduzi-los depois da minha ultima consulta de 2013 e exercícios para fazer se não conseguisse essa façanha.
O ano que se iniciou ainda não me trouxe a capacidade de introduzir nenhum dos novos objetos, e no fundo eu sei por que, na verdade tenho dois motivos que sei que influenciaram no meu fracasso em relação a isso, primeiro o fato de não ter feito os exercícios de relaxamento da forma correta, todas as vezes que tentei estava muito ansiosa para conseguir relaxar de fato, a verdade é que ainda tenho medo tanto do vibrador quanto dos pesos. Sinto o peso do medo cada vez que tento fazer os exercícios, e por isso sempre saio mais decepcionada do que antes de tentar.
Sei que não posso parar de tentar, pelo simples fato de que só superei o medo do absorvente interno tentando, relaxando e me esforçando, e a minha esperança é que um dia o vibrador seja como o absorvente um amigo e não algo que me cause medo nem dor.
Sei que ainda vou ter que trabalhar muito nesse aspecto, mas pelo menos tenho consciência mais do que nunca que o meu problema vem do puro e simples medo.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Um pequeno passo para uma mulher, um grande passo para uma vagínica.


Bom vamos começar do início, semana passada eu tinha feito uma postagem sobre como estava indo o meu tratamento e todos os meus problemas em relação a minha situação financeira instável e a provável interrupção do meu tratamento, e o meu amigo Marcelo Admus, me chamou a atenção para o fato de que no post eu não chamei a atenção para todos os contras em relação a aplicação da toxina botulínica, nas mulheres com vaginismo. Então antes de qualquer coisa vou começar falando um pouco desse assunto para depois contar o que ficou decidido na minha ultima consulta médica, e qual foi a minha ultima conquista no quesito vaginismo.
Quanto a toxina botulínica, é importante ressaltar que: 1º uma vez que o vaginismo na maioria das vezes é desencadeado por questões psicológicas, existem grandes probabilidades de que o problema não seja de fato resolvido com a aplicação da toxina, mesmo que depois da mesma a mulher não volte a apresentar sintomas de vaginismo, o problema psicológico em questão pode muito bem ser revertido para outros campos da vida, e pode gerar outros distúrbios. 2º com o passar do tempo a toxina vai perdendo o efeito e se a mulher ainda tiver questões sexuais a serem resolvidas é muito provável que volte a desenvolver o vaginismo da mesma forma. 3º muitas vezes para que os sintomas do vaginismo desapareçam de fato, mesmo que o problema seja transferido para outro campo da vida da pessoa são necessárias mais de uma aplicação. 4º aplicação de toxina botulínica não é nada barato, principalmente se você tiver que fazer mais de uma aplicação da mesma. Espero ter tirado as dúvidas em relação a esse assunto.
De qualquer forma, na semana passada eu fui para a terapia decidida a pedir a minha médica que tivesse essa conduta em função de alguns problemas financeiros que eu sei que aparecerão no começo do ano que vem. e do fato de que pretendo também investir o meu curto dinheirinho em outras formas de crescimento/ conhecimento pessoal que não tem sido possível por que tenho estado em tratamento por causa do vaginismo. Entrei na sessão decidida a esperar uma brecha na conversa e abordar o assunto, mas estávamos falando de como queríamos que fosse aquele encontro em si, quando usei um termo que ela sempre diz que não gosta e paramos tudo para falar do bendito termo. O resultado foi que em uma frase, mesmo sem saber ela me desmotivou completamente sequer abordar o assunto da aplicação da toxina, por que me levou a refletir e a lembrar por que de fato eu estou fazendo terapia.
Estávamos falando das obrigações que a sociedade nos impõe, quando ela "ocasionalmente" (o termo está entre "" por que eu sei que não foi por acaso que foi usado naquele contexto, mas ela fez parecer com que fosse...) mencionou a seguinte frase: "nós temos a obrigação de nos casarmos virgens, mas nem sabemos o que é virgindade."
Essa única frase dita assim em um contexto simples, quase me fez chorar, por que eu sei que de fato os meus motivos para desenvolver o vaginismo são em boa parte baseados exatamente nisso. E me vi com 25 anos sem saber de fato qual é a definição de virgindade, e por que isso é tão importante, ou por que me ensinaram a valorizar tanto isso, mas ninguém nunca de fato falou o que significava...
Mesmo assim pedi para ela não abordar o assunto naquele momento, eu precisava refletir um pouco sobre o assunto, me acalmar e lembrar que eu estava ali justamente para ter esse tipo de questionamento, que da mesma forma que eu tento incitar os meus alunos a ter questionamentos maiores sobre o mundo em que vivemos, a terapia servia para me fazer pensar e repensar todas essas coisas que aprendemos e passamos a vida inteira repetindo sem de fato saber o que são ou se perguntar por que as repetimos.
Na saída do consultório conversei com o meu marido um pouco sobre a questão e falamos da nossa situação financeira, que era na verdade o que estava me preocupando. Mas ele foi o anjo que ele sempre é, me tranquilizou e mudamos os nossos planos, resolvemos adiar as coisas que queríamos fazer e continuar priorizando o tratamento que no fim das contas tem ajudado nós dois.
Passei alguns dias refletindo sobre o que me chocou naquele sábado, e sei que tenho vaginismo por esse tipo de coisas, ainda estou tentando colocar as coisas no lugar que deveriam estar na minha cabeça, mas não é simples desaprender tudo o que se levou uma vida inteira para se absorver. Ainda falta muito para colocar ordem na casa, mas eu sei que vou chegar lá.
De qualquer forma ainda tenho mais uma coisa para contar hoje, e essa foi uma conquista que me deixou extremamente animada...
Hoje tive um momento ruim do meu dia, uma hora em que me senti estagnada em relação ao tratamento do vaginismo, como se eu estivesse simplesmente sem fazer nada para de fato chegar a cura, como se eu tivesse pensado por muito tempo que apenas ir na terapia fosse resolver todos os meus problemas.
A minha médica já tinha me dado alguns exercícios que contavam com introdução principalmente do dedo na vagina, mas eu tinha feito poucas vezes, e ficado um pouco frustrada ao tentar inserir um absorvente interno sem sucesso, por isso tinha deixado esses exercícios meio de lado, e não estava me preocupando por que ela disse para eu só realizá-los quando estivesse me sentindo segura para isso.
Então peguei meu espelho, meu lubrificante vaginal, meus absorventes internos, coloquei uma música bem relaxante, e tentei primeiro introduzir o dedo indicador. Não foi fácil, mas pelo menos agora estou aprendendo a controlar os músculos do assoalho pélvico, então quando começo a sentir dor me concentro em relaxar essa musculatura. Consegui introduzir o dedo sem lubrificante, era hora de tentar o absorvente (daqueles que tem aplicador...), e aí me peguei pensando, caramba, o absorvente não é tão maior que o meu dedo, se eu consigo o dedo vou conseguir o absorvente também. Dei um banho de lubrificante no absorvente e lentamente foi introduzindo, me forçando a relaxar, e quando menos esperava ele estava inteiro do lado de dentro e a dor foi tão pouca que eu quase não senti.
Passei o resto do dia super feliz com o meu pequeno grande passo, tão feliz que até mandei um sms para a minha terapeuta que me respondeu com um belo parabéns e palavras de incentivo...

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Meu tratamento e o impasse da toxina botulínica.

 

Faz um tempo já que não venho postando nada aqui referente ao meu tratamento especificamente. Na verdade precisava de um tempo para amadurecer tudo o que tenho descoberto sobre mim mesma na terapia, e para compreender melhor quem é essa nova pessoa que está desabrochando de mim mesma, que na verdade já estava aqui, mas muito bem escondida atrás de todas as convenções sociais e das opressões religiosas/familiares sofridas durante mais de 20 anos.
O que tenho para contar é animador e ao mesmo tempo não tão empolgante assim. Que a terapia tem dado bons resultados, não há como contestar, sou literalmente outra pessoa. Não tenho mais todo o pudor que tinha ao falar de sexo, não acho as coisas mais erradas nem me escandalizo mais com tanta facilidade quando o assunto é esse. Sei que não existe como fazer tratamento de vaginismo sem a terapia, por que os assuntos que trabalhamos são muito importantes para o nosso amadurecimento, inclusive toda aquela maturidade que não tem muito a ver com sexo. Na verdade quando penso em mim antes da terapia, me vejo como uma criança brincando de ser adulta, por que de fato encarava as coisas dessa forma, como se as coisas que a sociedade dizia serem erradas de fato fossem, e que sexualidade fosse uma coisa simples, onde há um certo e um errado e a mulher que gosta de sexo, ou que se sente confortável com ele é pior do que uma prostituta.
Quando penso nessas coisas me dou conta do quanto a sociedade e a mídia influenciam na formação do nosso pensamento e do nosso caráter. Mudar todas essas concepções me tornou uma pessoa muito mais consciente, realizada e feliz. Contribuiu muito para um “evolução” do meu relacionamento com o meu marido, da mesma forma que eu tem desabrochado de formas que eu não esperava, e acredito que o meu marido também não. (rsrsrsrs)
De fato a terapia só tem me feito bem. E posso dizer que avancei muito desde que comecei em abril desse ano. Tive muitas evoluções em tão pouco tempo, principalmente por que só vejo a minha médica duas vezes por mês. Acredito que a minha maior conquista em tão pouco tempo foi o exame médico, na verdade uma mistura de exame médico e aula de anatomia da qual o meu marido também participou. Na verdade foi como ser um daqueles bonecos que a gente vê em hospitais e em escolas, mas muito mais didático do que olhar um boneco estranho e mal explicado. Mas a maior conquista desse dia foi, não me sentir desconfortável praticamente nua na frente de duas pessoas vestidas (minha terapeuta/ginecologista e o meu marido), na verdade para mim foi algo extremamente natural, para ser sincera foi até divertida...
Agora ganho uma nova lição de casa a cada consulta, tenho feito muitos exercícios de contração e relaxamento da musculatura do assoalho pélvico, e comecei a tentar penetrar alguns objetos, na verdade até o momento apenas cotonetes, por simples insegurança minha. Descobri finalmente o que é o meu bendito hímen (hoje eu penso que coisa mais absurda, ter uma parte de mim tão polêmica e absurda e na verdade nem saber o que é, acho que é a coisa mais idiota que pode acontecer com alguém...), e vi que de fato ele já está um pouquinho rompido mesmo, pelo menos isso indica que ele não é complacente, o que para mim já é um grande alívio...
As evoluções têm sido muitas, e me orgulho cada vez mais de ver o quanto já avancei nesse caminho em busca da cura, e mais feliz ainda em ver que esse caminho não é tão complicado, nem tão desesperador quanto nos parece no início, quando ainda não temos tratamento, ou quando o tratamento ainda é muito novo para que possamos enxergar tudo isso.
Bom, agora vamos ao impasse da questão.
Faz umas semanas que tenho me pegado pensando em uma alternativa que a minha terapeuta/ginecologista tinha comentado comigo no inicio do tratamento, que ela só fazia em casos específicos por motivos específicos, mas que era se não a cura de fato, levam a ela de forma mais rápida. Vocês que lidam com o assunto a bastante tempo já devem ter sacado do que eu estou falando. De fato estou me questionando sobre o uso da famosa toxina botulínica no tratamento do vaginismo, nosso tão polêmico Botox®.
Ela já tinha me dito que aplicou em outra paciente, mas que não recomendava por que as causas do vaginismo são psicológicas, e normalmente quando se toma esse tipo de atitude você transfere o problema para outro aspecto da sua vida. Entendo que temos que lidar com as nossas dificuldades, com os nossos complexos e etc, etc, etc. Mas também estou em um momento decisivo financeiramente, uma vez que com o final do ano a minha vida profissional volta a ser incerta. Sei que a terapia já me trouxe milhões de avanços como pessoa, mas não quero ter que interromper o meu tratamento sem um grande avanço físico.
Ainda estou tomando coragem para conversar com a minha médica sobre essa decisão, e na verdade estou rezando para que ela não se recuse a realizar esse procedimento, ou simplesmente o desaconselhe. No início fiquei muito depressiva quando me peguei pensando nisso, pelo simples fato de que me pareceu estar desistindo de tudo o que consegui a te aqui e dizendo que não sou capaz de conseguir sozinha, mas na verdade não é isso. Quero fazer a aplicação e continuar a terapia, mas tenho medo da possibilidade de ter que parar e perder tudo o que já conquistei até aqui.
De qualquer forma ainda estou amadurecendo a ideia, lendo muitos artigos na internet sobre o assunto, para depois conversar com a minha terapeuta.
Quero aproveitar o post de hoje para fazer uma indicação literária a todas as pessoas que buscam tratamentos alternativos para o vaginismo. Eu encontrei um livro muito interessante, e bem baratinho, diga-se de passagem, que fala um pouco da utilização de florais no tratamento de disfunções sexuais, chama “O sexo e as flores” a autora chama Liany Silva dos Santos. Muito interessante para aquelas pessoas que assim como eu procuram outras formas de nos levar a cura.
Espero que tenham gostado do meu retorno.
Beijos e sucesso a todos (as)!!!!!!!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

CONTRADIÇÃO


Ainda consigo ficar impressionada com o tamanho da hipocrisia e da opressão das pessoas do nosso país. Por que sinceramente o tumulto que uma cena de dançarinos nus tem causado na internet tem me deixado em choque.
Antes de mais nada estamos falando de um programa direcionado para adultos (e mesmo que não fosse, crianças também tem corpos e não nascem vestidas, e na verdade acho que ela só enxergam o fundamento das roupas por que são ensinadas pelo adultos...), com a proposta de discutir Amor e SEXO. E antes que se diga qualquer coisa sexo por definição não é MASCULINO e FEMININO? A maior forma de expressão de masculino e feminino no nosso corpo não são os órgãos genitais, perpetuamente escondidos sob várias camadas de roupas?
Na minha opinião o escândalo das pessoas em relação a isso, só prova o quanto a nossa sociedade ainda é extremamente reprimida em relação a sexo, e isso se reflete em quase tudo o que vivenciamos. Muitas pessoas acreditam que o funk é a maior prova do excesso de liberdade sexual, na verdade se analisarmos a situação de uma forma mais critica e menos baseada no senso comum, vamos perceber que a questão do funk é exatamente o contrário. É a maior das consequências da repressão sexual que sofremos por tantos séculos. As coisas são muito escancaradas no funk com a intenção de chocar, de jogar na cara da sociedade que sexo é isso mesmo e que fazemos mesmo, tanto que faz mais sucesso entre os adolescentes que passam exatamente por essa fase, e digo isso por que quando eu estava com essa idade as minhas atitudes era exatamente assim. Mas o que mais percebo é que entre essa mesma população de adolescentes, que amam o funk, acontece na realidade duas coisas após o fim dessa fase, aliás em função de tudo isso muitas vezes é encerrada previamente em função de gestações não planejadas, e esse é o primeiro fim da fase funk, a segunda coisa que acontece, e que quando crescem se saem dessa fase de normalmente viram o que eu chamo de evangélico de cabresto (que fique bem claro que eu não tenho nada contra nenhuma denominação religiosa, apenas não suporto fanatismos e repressões religiosas...), uma atitude que na verdade se baseia mais na culpa que eles sentem por ter tido atitudes sexuais tão exacerbadas do que em função de fé propriamente dita.
Tradução a opressão sexual é tão grande na nossa sociedade que até mesmo os jovens que por um tempo tentam mesmo que da forma errada se libertar acabam sucumbindo a toda essa hipocrisia e depois acreditam estarem errados.
Não sou fã de funk, nem grande defensora desse estilo musical, se é que dá para chamar assim, mas acredito realmente que essas coisas só existem por que a nossa sociedade ainda é muito opressora e machista.
Como falar que a música fala mal da mulher, quando várias meninas gostam, quando estão acostumadas a serem chamadas assim pelas mães, pelos pais, pelo avós, que mal tem se em casa são tratadas da mesma forma? Na verdade elas estranham é na escola quando o professor se refere a elas com respeito e com carinho, aí a resposta é a agressividade.
Nossa sociedade ainda tem muitos tabus a quebrar, e no fim antes mesmo do tabu do sexo primeiro deva-se quebrar o tabu do nudismo. Afinal por que só a mulher fazer nu frontal na televisão não é impactante? Por que quando um homem aparece em nu frontal é errado? E por que no carnaval a Globeleza pode aparecer pelada no horário que for e ninguém se incomoda mais, mas um programa que se propõe a falar de sexo no meio da madrugada não pode ter dançarinos nus? Muito contraditória toda essa situação...